Múmias Defumadas

Nas regiões montanhosas de Morobe, na Papua Nova Guiné, indígenas da tribo Anga usam um método milenar para mumificar seus mortos: a conservação através da fumaça. O processo é cuidadoso, complexo e cercado de rituais. Além de homenagear amigos e parentes falecidos, é também uma cerimônia renovadora, se não macabra, para aqueles que ficam. Primeiro eles racham os joelhos, cotovelos e pés do cadáver e drenam toda a gordura do corpo. Parece com o jeito que os porcos são estripados e amarrados nos matadouros, exceto pelo fato de varas ocas de bambu serem enfiadas no abdômen dos mortos e sua gordura ser coletada para depois ser espalhada nos cabelos e na pele dos seus parentes (eles acreditam que isso passa a força do morto para o vivo). Os Anga acreditam que jantar pedaços do cadáver tenha efeito parecido, então, qualquer líquido que sobra é usado como óleo de cozinha. Mas a coisa fica melhor—ou pior, depende do seu estado…

Embalsamadores experientes costuram a boca, os olhos e fecham o ânus da múmia para reduzir a entrada de ar e impedir que a carne apodreça. Este processo meticuloso de fechar os orifícios é o que faz com que essas múmias continuem em boa forma 200 anos depois.

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Os Anga também arrancam as solas dos pés, a língua e as palmas das mãos dos cadáveres e as dão às esposas ou maridos vivos. O que sobra dos corpos é jogado em um forno comunitário escavado no chão e curado. Depois, o corpo é coberto com barro e ocre vermelho, que agem juntos como um casulo natural—protege da decomposição e dos escavamentos dos cachorros. Os Anga acendem uma grande pira funerária. Até múmias bebês são mantidas intactas


 


 

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